Entrevista com a banda Sub Cut - Grindcore de Presidente Prudente - SP

A banda de extremo Grindcore, Sub Cut esteve na Capital no último dia 15 de novembro –  Grindcore é um dos estilos mais pesados e rápidos  do Rock n ‘ Roll. No caso desta banda de Presidente Prudente – SP, que por sinal são muito amigos de grande parte do pessoal que faz a produção, presencia e toca em Campo Grande. Eles tocam a própria “Anti-Música”, riff’s pesadíssimos, baixo comendo solto nas coordenada, bateria total “AR-15”, cuspindo fogo, ódio, violência e tudo aquilo que nos cerca diariamente. Estilo esse que é perfeitamente passado de forma muito expressiva no som deles, percebendo-se aí as dedicações ininterruptas de ensaios semanais.  O curioso é que eles estão gravando o primeiro CD, o “Contra Fatos não há Argumentos”, nesse ano de 2008. A principal parte do material foi lançada em formato de split EP7 – LP pequeno com uma banda de cada lado. Formada há 13 anos, eles já gravaram: LP SUB CUT com o ENTRAILLS MASSACRE da Alemanha, SUB CUT/DISARM (STA. B. D'OESTE), SUBCUT/CRUEL FACE  (ABC), SUBCUT/FUCK THE FACTS (CAN), SUBCUT/DISTURBANCE PROJECT – split CD (EUA) -  mais SUBCUT  e SOCIAL CHAOS de São Bernardo do Campo. E agora esse ano foi lançado o novo trabalho em formato de CD, o show deles ocorreu no Chácara Bar, e foi simplesmente demolidor do começo ao fim. A banda é formada – da esquerda para a direita - por Sousa (baixo/voz), Helder (guitarra/ voz) e Afonso (bateria/voz). E nesse dia o baterista Afonso Moura, o único integrante que está desde o início da banda me concedeu essa entrevista.

PantanalROCK.com.br: Nesses 13 anos, muitas pessoas passaram pelo Sub Cut, vocês possuem grande respeito na cena underground. Fala um pouco de como é estar 13 anos nessa estrada da Anti-Música?

Afonso: Bom já estamos há 13 anos com a banda Sub Cut, algumas pessoas passaram e contribuíram com a banda. Somente eu continuo desde o início. A correria sempre, não tem como fugir muito do que você propõe a fazer em relação à Grindcore, Anti-Música, essas coisas. O negócio é fazer o que gosta e continuar né, barreiras são colocadas todos os dias para serem superadas.

PantanalROCK.com.br: A banda está sempre com uma agenda com shows no Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Como arrumar tempo, e conciliar vida pessoal e banda?

Afonso: É isso aí, é uma correria que a gente faz assim, trampo, faculdade, banda, casa, família. Tudo na correria, tudo é muito difícil, aí que torna o lance legal, o lance do prazer de fazer por fazer mesmo, suportar o underground. Porque a gente vê que se você simplesmente não fizer por alguma coisa, é trampo e tal, você acaba que fechando aquele lance de, satisfazer aquilo que propões a fazer como banda. Tocar divulgar expor, isso aí é correria, porque a gente ensaia uma vez no meio da semana, antes de eu e o Helder irmos para a faculdade. Saio do trabalho as 18h00min a gente ensaia, depois do Souza já ter chego do serviço dele. Chega no sábado também ensaiamos quando não tem show pra fora. E quando tem, é pegar a estrada e ir, pois sempre que a gente pode nós viajamos.

PantanalROCK.com.br: Você acha que os produtores do underground nacional estão com um bom suporte na realização de eventos?Que cidade você destacaria?

Afonso: Cara eu vou falar pra você o seguinte, é... Capitais eu acho que já era. O que ta rolando legal são as cidades do interior, que não possuem muita expressão. Eu falo capitais que nem São Paulo, ta ligado, lá não tem mais lance de show grande assim, geralmente toca em salas, salas de barraca. O cara tem um estúdio e uma grande sala, e a gente toca lá. Agora no interior assim em cidades com uma puta estrutura que a gente foi tocar foi Joinville. É impressionante como eles fazem lá, tanto organizadores e público. Como aqui em Campo Grande pela segunda vez, e Cuiabá também. É por isso que eu não vou destacar uma cidade saca.

PantanalROCK.com.br: Como anda a cena em Presidente Prudente? Rola show lá? Conta um pouco da época que você teve o bar Squat lá.

Afonso: Prudente já teve uma cena boa por volta de 86, tinha uma galera que sempre tava fazendo shows legais lá de bandas que se consagraram depois, tipo Sarcófago, Multilator entre outros. Depois de certo tempo nos anos 90 agente começou a fazer shows beneficentes que também tinham um respaldo legal. Só que de uns 10 anos pra cá, esse negócio acabou meio que saturando. E tinha muita gente que falava mal, só que não fazia nada e nem ia ver a banda que dizia que gostava. Em relação ao Squat, quando eu monte o bar há seis anos, ele durou um ano e meio. Era um sonho antigo de fazer um bar de rock, batalhei, tentei fazer a diferença na cidade. Foi um divisor de águas, por que muitas pessoas começaram a freqüentar o bar. Infelizmente  eu não tive condições de tocar o bar e ele fechou. Muitas amizades foram feitas.

PantanalROCK.com.br: Possuem vários splits em EP, não rolou a idéia de fazer o “Contra Fatos não há argumentos” no mesmo formato?

Afonso: A idéia inicial era a de fazer CD no Brasil e LP na gringa. Só que aí o cara da República Checa, o Oto do Net Fool Finks, acabou meio que deixando de lado, e aqui no Brasil como não tem mais fábrica, fica impossível fazer vinil. Mas a gente não se preocupa muito em relação a formato. 

PantanalROCK.com.br: Fizeram show com os finlandeses do Rattus – uma das primeiras bandas punk do mundo de 1978. Como foi dividir o palco com os caras?

Afonso: Cara é impressionante como os caras são tão velhos em termos de banda, e tão novos quando tocam. Apesar da dificuldade no inglês, os caras deram muita atenção, sempre perguntando se estava tudo certo em relação ao suporte e coisa e tal. Tocamos com eles em Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Depois do show vieram nos cumprimentar, foi muito legal.

PantanalROCK.com.br: O som do Sub Cut, é mais ou menos como um “soco bem dado na cara”, e ao vivo se tem a idéia disso. Quais são as inspirações? Muita insanidade?

Afonso: Risos. Acho que o dia-a-dia caótico que a gente vê, esse stress que a gente tenta sobreviver. Tudo isso reflete no nosso som. Acho que além dessa vivência, a vontade de expor nossos sentimentos que acaba saindo dessa forma. Tem um amigo nosso que há um tempo nos perguntou se não tínhamos freio. Risos. Acho que o nosso som só reflete aquilo que nós tentamos fazer. A gente não consegue mais tocar devagar.

 PantanalROCK.com.br: No underground muitas vezes não é fácil gravar um CD. Como foi a produção do “Contra Fatos não há Argumentos”?

Afonso: Toda a história começou há dois anos, quando a gente começou a gravar. As gravações ficaram paradas por um ano. Nós gravamos tudo em três partes, por causa da quantidade que queríamos regravar. Foi várias mudanças na produção, até chegar às mãos do Alex da Bucho Discos. O cara é irmão, abraçamos a idéia também, e o importante que deu tudo certo.

PantanalROCK.com.br: O que acham da cena de Campo Grande?

Afonso: Eu gostaria que Presidente Prudente tivesse uma cena assim, as bandas, a galera e tudo mais. Lá é bem escasso em torno de união, e Campo Grande o que me vem a cabeça, é a galera do DxDxOx e as demais bandas, acho que é uma galera muito unida.

 

Quem está online

No momento há 0 usuários e 1 visitante online.