Entrevista com a banda de Death Metal de Dourados Across

O Across é uma banda de Death Black Metal douradense, no último dia 30 de janeiro eles estiveram em Campo Grande pela 14ª ou 15ª vez, de acordo com a banda. Apesar do número não muito expressivo de gente no dia, o show foi bom, e o Across mostrou novamente que é uma das forças do metal de MS, com o seu Death Metal de alta qualidade . A banda é formado - da esquerda para a direita- por Alex (guitarra), João Muniz (voz/guitarra), Rafael Fernandes (baixo) e Leonardo Treuherz (bateria). Abaixo segue a entrevista gentilmente concedida pelo vocalista e guitarrista João Muniz minutos antes do show.

 

PantanalRock:O Across é uma banda de Death Metal respeitada no Estado, como é estar na estrada durante esses dez anos?

João Muniz: Pra nós é uma satisfação ter sobrevivido durante esse tempo, estamos na ativa com um projeto pra tentar gravar o primeiro disco oficial através do FIC (Fundo de Investimento a Cultura), se não der o do Estado agente vai tentar o do município. E nesses dez anos tocamos em vários lugares, e em Campo Grande foi o lugar que mais tocamos fora de Dourados, acho que já foi umas 14 ou 15 vezes. Tocamos também em Foz do Iguaçu, Cuiabá, Maringá, Assunção e no interior do Estado. Apesar da inconstância de uma banda de Deth Metal, de no momento estar sem turnê, sem circuito, tocando aqui e aco-lá. Para nós é uma satisfação ter chegado até aqui, saber  e conhecer pessoas que gostam da banda.

PantanalRock: A banda já tocou no Paraguai, como foi a recepção lá?

João Muniz: Lá foi ótimo cara, agente enviou pra lá a primeira demo “Across”, e ela foi reproduzida e divulgado em rádios de Assunção pelo nosso amigo Lucas. Então chegamos lá e pra nossa surpresa, o pessoal já conhecia um pouco o som e já tinha ouvido falar. E lá é assim, eles não sabem que é uma banda de Dourados, pra eles é uma banda brasileira, e quando você vai tocar em Assunção, não importa se você é de Ponta Porã, Dourados, é uma banda brasileira, o show foi ótimo, deu umas 400, 500 pessoas e foi muito massa. Tocamos em Assunção e duas vezes em Pedro Juan Caballero também, na fronteira.

PantanalRock: Como anda a cena lá em Dourados?

João Muniz: A cena lá em Dourados nunca foi muito forte, tem as bandas tem a galera, mas peca muito em falta de shows e pra gravar em estúdio. Estamos tentando gravar um CD por conta própria, poucos shows, e ultimamente estão indo poucas bandas pra lá. Tem o Coró de Cova de Itaporã, que sempre toca por lá, algumas bandas que estão se formando e muitas bandas mais antigas da nossa época que já não existem mais. Acho que a cena tem muito a melhorar lá em Dourados, mais é  boa tem bastante gente, porém falta um pouco de organização. Tipo vamos trazer o Ratos de Porão, ai um consegue um patrocínio, outro conhece não sem quem, o pai de alguém tem uma pequena empresa ai pode ajudar um pouco, aproveitar a prefeitura que apóia eventos lá de vez em quando, acho que tá faltando um pouco disso. Falta ir um pouco mais de bandas pra lá também.

PantanalRock: Já tocaram em Campo Grande umas 15 vezes?

João Muniz: Eu fiz um resgate de nossos cartazes de shows há um tempo, no intuito de levantar o arquivo da banda justamente para entrar no projeto de incentivo a cultura, anexar os cartazes, entrevista de internet, revista, fanzine, então eu acho que essa é a décima quinta vez que a gente toca aqui, embora eu não tenha todos os cartazes, eu sei onde agente tocou, apesar de não ter um ou dois cartazes.

PantanalRock: O Across já teve diversas formações e as suas atividades paradas por um período de dois anos. Chegou de rolar a idéia de parar, e se rolou qual foi o gás que fizeram retornar?

João Muniz: O que fez com déssemos uma parada foi que o nosso baterista  veio morar aqui em Campo Grande, no intuito de fazer faculdade de música, então ele ficou aqui dois anos, prestando vestibular e tocando em outras bandas. Nesse meio tempo viemos ensaiar umas duas vezes aqui, e ele foi ensaiar lá umas duas vezes, porém a banda não acabou, ficou sem atividade, eu sempre tive o ideal de nunca acabar, se isso for possível .Perdemos  um baixista, aí o guitarrista virou baixista. Da formação inicial resta eu e o Leonardo (bateria). E o Rafael Fernandez (baixo) já ta com a gente a mais de cinco anos já, e o Alex entrou recentemente a menos de um ano.

PantanaRock: Vocês possuem três trabalhos, o primeiro auto-intitulado “Across”, o “Microbeal Carnification”, e o “Damaging Soul”, como anda a repercussão deles?

João Muniz: Então, temos a primeira demo Across que é de 2001, a segunda Microbeal Carnification de 2002, e Damaging Soul que é de 2005. A divulgação de Damanging Soul foi muito boa, eu não sei precisar a quantidade de cópias que rolou, mas foram em torno de umas 400, 500. Ela foi resenhada por revistas e fanzines de todo o Brasil. Entramos em três coletâneas também, a Visão Underground que já saiu, a Metal Zine de Dourados que existe há uns três anos, e a outra é a do Andreells Massacre, essa sim é oficial e sai no meio do ano.

PantanalRock: O que a banda acha da cena sul-mato-grossense?

João Muniz: Cara eu acho a cena sul-mato-grossense muito boa cara, aqui a galera dá valor, tem intrigas, mas isso tem em qualquer lugar. E tipo citar nome de bandas é difícil porque são muitas, eu tenho muita demo em casa, inclusive eu quero uma do DxDxOx que eu não tenho, bandas das antigas que tocamos também é o Katástrofe, o Disamornical Tempest.Outras bandas boas que tem também é o Labore Lunae, Agression, Domínio da Escuridão o Granguena de Ponta Porã, o Coró de Cova de Itaporã galera de Fátima do Sul a galera que tem banda em Corumbá. O engraçado é que quando fomos tocar em Maringá (PR), os caras: “Poxa meu vocês são de Mato Grosso do Sul vieram longe pra caramba”. Aí eu falei cara é só 400 Km de lá pra cá. Na maioria agente conhece mais as bandas do Paraná, do que eles daqui, como no Brasil inteiro . Mas no momento existem distros, sites, coisas que estão reformulando, fazendo crescer. Um exemplo é o pessoal do Grangrena de Ponta Porã que organizou o show do Paul Diano. Quando agente sai pra fora vemos que o pessoal tem mais estrutura, tem os bares, mais acesso a estúdios, porém falta a essência, por que parece que pra fora o pessoal é mais individualista.

Pantanal Rock: Como foi ter divido o palco com nomes como o Angra, Krisiun e o Infernal?

João Muniz: Cara foi uma coisa muito massa, no show do Angra era pra ter tocado o Sarcedoth (Dourados), os caras não podiam aí indicaram nós. Foi muito bom pra gente, foi aqui em Campo Grande, deu muita gente, um show muito importante, apesar de não ser o meu estilo preferido, foi massa ter tido contato com os caras. Com o Krisiun nem fala né cara, agente tem foto com eles trocamos idéia. E com o Infernal foi massa pra caramba, aqui em Campo Grande também, é uma das bandas de metal que eu mais respeito, e com o Funeral (Paraguai) que é o Sepultura de lá, em um show em Foz do Iguaçu também foi ótimo. E com todas as bandas que a gente tocou foi tão importante quanto.

PantanalRock: Agora o espaço é seu.

João Muniz: Cara eu gostaria de agradecer ao PantanalRock.com.br, eu também to começando um trampo de uma distro, e informativos, eu agradeço ao espaço, e deixar um recado pra galera ir aos shows, principalmente comprarem as demos das bandas, adesivo, prestigiar a cena. Lutar por ela, não lutando no meio da rua chamando o outro de poser (risos), brigar pra conseguir apoio do estado, prefeitura, e aqui a galera do estado perante um justificativa apóia a cena. É isso aí obrigado!

 

Quem quiser conhecer o trabalho do Across é entrar em: http://www.myspace.com/acrossbrazil

 

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